sexta-feira, 19 de outubro de 2012

16x05: Back to Where We Belong

16x05: Back to Where We Belong










  POV Susan.

  É estranho voltar a pisar no ER do County General Hospital depois de tanto tempo afastada, vivendo uma vida tão diferente daquela que um dia eu vivi aqui dentro desse lugar, que apesar de algumas reformas continua basicamente o mesmo. É realmente muito estranho entrar aqui, mas eu não posso negar que é extremamente gratificante também, afinal de contas esse ER me deu muita coisa nessa vida e eu não estou me referindo exatamente à experiência profissional. Não... Aqui eu tive os melhores amigos que uma pessoa podia ter e aqui eu também fui muito feliz. A única coisa que eu espero agora é poder ser feliz de novo, como um dia eu fui.
   Deixando os momentos saudosistas de lado, porque basta ter que partir e deixar o meu filho com o pai até que eu possa dar um jeito de me encontrar em Chicago, caminhei pela recepção e procurei um rosto conhecido, quase entrando em pânico quando não reconheci nenhum deles a não ser o de Frank que estava ao telefone esbravejando com alguém. Meu Deus! O Carter queria que eu viesse trabalhar aqui? Nesse lugar sem rostos amigos? Aquele bastardo ia ver só uma coisa.
 - Susan?
 Eu virei quando escutei uma voz conhecida e imediatamente sorri ao ver Haleh surpresa ao me encontrar ali. - Que coisa boa! Quando que você chegou? Veio para ficar dessa vez? Bem que estamos precisando de alguém como você!
 Eu sorri e deixei que ela me abraçasse, sentindo falta de tudo aquilo.
- Esse lugar nunca mais foi o mesmo desde que um monte de gente foi embora...
- Por isso mesmo que eu a trouxe de volta... – Carter disse atrás de mim e assim que eu me virei ele me puxou de volta – É ótimo te ver aqui Susie...
Eu franzi a testa e ele riu.
- Você sabe né? Eu estou há um tempo sem mulher e como eu não sou mais um garotinho resolvi te ligar e investir em você, afinal você sempre foi louquinha por mim... Nunca resistiu ao meu charme...
  Haleh riu e saiu andando, balançando a cabeça enquanto eu cruzava os braços e o encarava com a cara fechada.
 -Carter, eu queria dar para você quando você era novo e rico... Agora que não é mais nada disso eu perdi o tesão... Foi mal aí... – Ele riu abertamente e eu respirei fundo, mudando de assunto drasticamente – Mas voltar para o County? Não sei não viu? Isso aqui está tão diferente... Um monte de gente desconhecida... Não tenho certeza se é isso que quero sabe? Para ficar aqui, me lembrando de tanta coisa e não tendo ninguém conhecido para lembrar comigo, me deixa deprimida... E além disso, Cosmo não está comigo... E pelo que eu conversei com Chuck, ele não quer que o filho venha para cá – Ele fez uma cara feia e eu respirei fundo, sem saber o que decidir – Eu não quero ficar aqui sozinha, Carter.
 - Ah e eu sou o que? Um ET? – Eu comecei a rir – Olha, eu sei que as coisas aqui estão mudadas. Mas eu preciso de você aqui comigo Sue... – Eu respirei fundo, sabendo que já tinha aceito aquele trabalho quando ele me ligou pela primeira vez – E você está desempregada que eu sei...
  Ele jogou baixo e eu mostrei o dedo do meio.
 - Pode parar com a sedução Susie. Eu já sou louco de amor por você. Desde sempre.
Eu girei os olhos e ele me fez aquela carinha de cachorrinho pidão, me deixando completamente perdida.
- Vamos lá Susie... É a chefia! Ela é sua! Vamos, aceite!
 - Argh! Se eu aceitar essa bosta você cala a boca e me deixa em paz? – Eu perguntei e ele riu me abraçando todo feliz.
 - Mas é claro que NÃO. – Ele disse rindo e eu girei os olhos, de novo, feliz por estar finalmente em casa
novamente.

 ~~oOo~~

  POV Luka.

  Eu não era conhecido por ser um cara tranquilo e que aceitava as coisas que aconteciam de errado ao meu redor sem expressar minha opinião, mas por Abby eu deixei isso de lado e não fui até David Zabel dizer que ele não passa de um verme nojento que só está onde está porque tem um padrinho. Só que uma coisa é ter a minha mulher demitida, isso eu até me obrigo a aceitar, mas outra bem diferente é ter que ver uma mulher despreparada, inexperiente e burra como uma porta tomar o lugar dela.
 Abby pertencia a esse lugar e fazia um maldito de um bom serviço. Está mais do que na hora do grande chefão saber disso.
 - Eu preciso conversar com você. – Falo sério assim que David Zabel para na recepção da emergência pra pegar alguma ficha de um paciente. Ele me olha com a sobrancelha levantada e eu não espero por uma desculpa – E tem que ser agora. Vamos fazer isso onde? Na minha sala? Ou aqui mesmo?
 Ele deu um sorriso amarelo e entregou uma ficha para um dos residentes que passava, dando algumas ordens, e finalmente apontou para o elevador.
 - Vamos para a sua sala porque se eu bem sei a conversa que vamos ter ela não é nada agradável.
Eu não falei mais nada e seguimos em silêncio até a minha sala que ficava no quinto andar
– Então Dr. Kovac, se essa conversa for por causa da demissão da sua mulher, eu queria dizer que... – Ele diz enquanto a porta ainda está  aberta e eu respiro fundo, sorrindo amarelo para algumas pessoas que passam e me controlo, fechando a porta bem devagar apesar de querer batê-la com toda a força do mundo. - Você não vai dizer nada e vai apenas me escutar.
 Ele me olhou confuso e eu respirei fundo de novo sabendo que eu não podia perder o controle, pelo menos não tão rápido
- Eu sou o diretor desse hospital. - Comecei com o tom baixo e ele acenou – E com um cargo como esse eu pensei que todas as decisões tomadas tivessem que passar por mim. – Ele abriu a boca para falar, mas eu não deixei – E pelo que eu saiba isso não mudou. – Ele não pareceu intimidado pelo meu discurso – Mas aparentemente a demissão da minha mulher não chegou até aqui. – Eu dei dois passos para frente e me aproximei dele – E eu realmente gostaria de saber o porquê.
 - Por que não pedimos a sua aprovação para a demissão de sua mulher? Isso é uma piada Kovac?
  Ele perguntou rindo e eu franzi a testa
- Porque obviamente você negaria isso. Não seja idiota, afinal um diretor de hospital não pode se dar ao luxo de ser um idiota... – Ele riu – E, além disso, nem toda a demissão deve passar por você. Você não é o dono disso aqui.
 Ele rodou o dedo em volta com um sorrisinho cínico e eu respirei fundo. Controle, Kovac. Controle!
 - Eu não estou dizendo que sou o dono e nem estou discutindo o fato de que não aprovei. Estou dizendo que não fui informado que isso aconteceria. E eu SEMPRE fui informado.
  Zabel girou os olhos
- Querendo você ou não eu sou o diretor desse hospital ,Zabel e não você.
Ele finalmente fez cara de poucos amigos e eu sorri, vitorioso.
- Por mais que você queira isso.
Ele abriu a boca, mas eu não deixei.
- Então me diga UM MOTIVO! Um simples motivo pela demissão da minha esposa, e eu esqueço esse assunto.Mas que seja um bom motivo.
 - Você quer um motivo? – Ele perguntou com um tom de poucos amigos – Vou te dar um motivo... – Ele se aproximou mais ainda – Encontramos alguém melhor que ela Kovac. Alguém muito melhor.

 ~~oOo~~ 

  POV Morris.

  Finalmente em casa! Nossa! Que dois dias foram esses?! Plantão atrás de plantão, com apenas algumas horas para descansar em uma maca vazia ou no sofá desconfortável da SDM, enquanto esperava os estudantes loucos e afoitos aparecerem prontos para bancarem os heróis e fazerem uma merda, exatamente como eu tinha feito. Sim, supervisionar estudantes é um trabalho horrível, mas é uma punição que eu estou disposto a cumprir, afinal querendo ou não, mesmo com toda a minha experiência, eu  agi como um louco e afoito, bancando o herói e fiz uma cagada das grandes. É, Morris. Você definitivamente é um idiota. Um idiota dos grandes.
 - Morris? – Eu dei um pulo e olhei Claudia parada na porta do quarto, vestindo uma das minhas camisas e com a maior cara de sono do mundo. Deus! Que horas são? Eu não sei e sinceramente  não me importo com isso.
– Morris? – Ela chama de novo e eu respiro fundo, sorrindo quando ela vem correndo e praticamente pula em meus braços – Graças a Deus você está em casa.
  A boca dela cai sobre a minha em um beijo faminto e eu correspondo, me sentindo completo pela primeira vez na vida
– Eu fiquei tão preocupada! Você sempre me ligava só quando eu não podia responder e suas mensagens me deixaram confusa. Aquilo aconteceu mesmo? Você cometeu aquele erro?
 - Sim... – Eu falo,entristecido, e ela faz com que eu me sente no sofá ao lado dela – Eu fui um idiota.Estava com a cabeça cheia de coisas e acabei deixando quem não devia tomando conta do paciente. – Respirei fundo – Mas graças a Deus o paciente não morreu. Ele ficou em coma, o que não é grande coisa, eu sei, mas pelo menos ele não morreu. Eu estive com ele no dia do acidente também sabe? Conversei... Sei lá... Consegui me sentir um pouco melhor.
 - Peraí um pouco. – Ela falou e eu olhei para ela sem entender – Você está jogando a culpa em cima da pobre estudante que você deixou lá sozinha?
Eu ia falar, mas ela não deixou
- Olha Morris, eu amo você e eu fico muito feliz que você tenha conseguido manter o seu emprego, mas não assumir o seu erro é demais. O erro não foi daquela garota. Foi seu, Morris! Seu! E era isso que você tinha que ter na cabeça! Imagina o que essa família está passando! Você pelo menos se explicou?
Eu permaneço calado.
 - Ah eu não acredito!Pelo amor de Deus o que você tem nessa sua cabeça?!
- Claudia, o que está acontecendo com você?! – Eu pergunto nervoso – Você parece tão irritada! De que lado você está aqui?! Só para me situar! – Ela respira fundo, passando a mão pelos cabelos.
 - Eu estou do seu lado caramba! Eu sempre vou estar do seu lado, Morris!Eu amo você! – Ela diz, exasperada – Mas deixar que nosso casamento atrapalhe você em seu trabalho com certeza não é o que eu quero!
 Eu ia retrucar, mas ela não deixa e continua falando
 - Você vai levantar essa bunda gorda desse sofá e vai falar com essa família Morris. Você vai até lá e vai se colocar disponível para eles. É o MÍNIMO que você deve fazer.
 Eu abro a boca para me defender, mas ela fecha a cara.
- Eu estou falando sério Morris! Eu não quero viver com essa culpa também.
 - Mas não é culpa sua, Cláudia! – Eu falo, desesperado e ela se aproxima, tocando o meu rosto.
 - Será que não? Afinal de contas você se distraiu porque EU liguei.

~~oOo~~ 

  POV Luka.


 - Como assim encontraram alguém melhor? – Eu pergunto a ele, sem acreditar no que estou escutando – Porque sinceramente, a pessoa que entrou no lugar dela não tem nada de bom. É uma médica que deve ter conseguido o diploma do mesmo jeito que conseguiu esse emprego: Porque tem influência
Ele colocou o dedo na minha cara e eu dei um tapa na mão dele. Isso já foi longe demais.
 – Não coloca o dedo na minha cara!
Ele deu um passo para frente e eu não me intimidei com a sua pose.
- E eu ainda não terminei de falar! Essa médica que você contratou não tem experiência, não está nenhum pouco preparada para esse tipo de trabalho e é burra como um porta! Como ela pode estar a altura de Abby?! Você só pode estar ficando louco!
 - Ah Kovac cala a boca você também! – Ele diz, e começa a rir como se eu não tivesse entendido a piada.  - Você está aí enchendo a boca para defender a sua esposa querida e ressaltando as qualidades dela, mas você quer mesmo que eu fale o porque de ela ter sido contratada?
 Eu ia falar, mas dessa vez ele não deixou.
 - Ah não! Você falou o que quis. Disse que a minha cunhada estava aqui porque é parente do herdeiro do hospital, mas sabe qual é a verdade? É a SUA mulher quem estava aqui porque EU QUIS que ela estivesse. - O que você quer dizer com isso? – Eu pergunto, apertando as mãos ao lado do meu corpo – Que diabos você quer dizer com VOCÊ quis minha mulher aqui?! Ela veio para cá junto comigo! Foi oferecida uma vaga para ela também.!
Ele ri e eu respiro fundo, pensando que já está mais do que na hora de socar a cara desse bastardo.
 - Claro que foi! Fui eu quem fez a proposta para ela. Mas eu te garanto que não foi porque ela era brilhante ou bem preparada. – Ele ri e coça o queixo – A verdade, meu amigo, é que acho sua mulher muito gostosa. E eu esperava poder mostrar a ela o que ela está perdendo ficando aí com você. Mas quando ela não me deu trela eu chutei a sua bunda. Não tenho tempo pra perder com ela se ela prefere ficar com um babaca como você. No final das contas, ela nem mesmo é tão gostosa assim...
 - CALA A BOCA SEU FILHO DA PUTA! – Sem pensar duas vezes, minha mão acerta o nariz dele com força e eu sinto o  osso se partir e o sangue começar a jorrar quase que imediatamente, enquanto ele cai no chão e se arrasta tentando fugir de mim.
 - Seu desgraçado! Você quebrou o meu nariz! – Ele berra desesperado e eu me aproximo,puxando-o pelo colarinho da camisa já suja de sangue e o coloco contra a parede com toda a força.
 – Kovac você está passando dos limites! Você está demitido! Demitido seu filho da puta! Você está DEMITIDO!
 - Não precisa me demitir não. Eu vou embora dessa bosta porque eu quero! E demito dessa droga! Agora, se eu souber que você falou ou pensou ou se aproximou da minha mulher de novo eu juro que não vai ser só um soco no nariz que você vai receber! – Eu abro a porta do escritório com uma mão enquanto com a outra eu o puxo pela camisa e o empurro porta afora.
-  Enquanto eu arrumo as coisas, talvez você devesse ligar e pedir meu cargo! Não é assim que você e toda a sua família nojenta consegue o que quer?
  Ele permanece lá, me encarando e eu finalmente  bato a porta, me sentindo bem mais aliviado por estar caindo fora desse inferno.

 ~~oOo~~ 

  POV Abby.


  Eu nunca fui mulher de ter um sexto sentindo forte, na verdade eu acho que nunca nem tive um sexto sentido, mas por alguma razão hoje eu já sabia que alguma coisa muito errada ia acontecer e que eu não ia gostar nadinha disso. Na verdade, desde que eu fui demitida eu sinto essa mesma coisa, mas hoje a coisa estava ainda maior e minha mente foi imediatamente para Luka e a situação que ele estava enfrentando no trabalho depois da minha demissão. Merda! Eu realmente espero que ele não faça nenhuma merda ou as coisas realmente vão ficar complicadas para a gente. E com certeza não precisamos de mais isso.

 - Mamãe? – A voz de Joe corta meus pensamentos e eu olho para ele sorrindo. – Você não tá pintando!
 Eu sorri e olhei o desenho impresso na minha frente e quase em branco.
 – Tudo bem mamãe? – Ele pergunta e eu toco sua mãozinha com carinho, me dando conta que talvez fosse melhor pensar em outra coisa antes que toda essa confusão começasse a atingir Joe, que não tinha culpa de nada. - Claro que está tudo bem filho... A mamãe não consegue decidir que cor usar... Só isso... – ele empurrou o lápis verde na minha mão e eu sorri começando a pintar a roupa do Ben 10 daquela cor. Não era essa a cor da roupa desse boneco? Sob os olhos atentos do meu menino, eu continuei a pintar até que o meu celular tocou. Oh merda! Tinha acontecido alguma coisa com Luka – Mamãe já volta... – eu falei e me levantei correndo até a bancada da cozinha onde meu celular estava – Alô? Luka?! - Não, Susan... – eu respirei aliviada e me sentei em uma das baquetas – Mas se você quiser eu posso tentar fazer um sotaque croata e engrossar a voz... – eu comecei a rir e ela riu junto – Liguei em uma má hora? – eu neguei e ela respirou fundo – Eu sei que da última vez que a gente se viu aí na sua casa eu não estava muito bem... Sabe como é... Eu tinha perdido o meu emprego por transar com o meu ex-marido em cima de uma mesa... Eu não estava nos meus melhores dias... – eu comecei a rir – Mas agora eu estou maravilhosa e você sabe por quê? - Porque você transou com seu marido em cima da mesa de novo e dessa vez ninguém descobriu? – ela riu e disse não – Okay... Então eu desisto Sue... Qual é o motivo de tamanha felicidade? - Eu vou começar a trabalhar de novo no County... – ela disse toda animada e eu arregalei os olhos no mais completo choque – E o melhor de tudo... Como CHEFE DO ER! – ela gritou animada e eu afastei o telefone do ouvido, esperando aquela animação toda chegar ao fim – Eu não queria no começo sabe? Mas Carter ficou me ligando e eu estava mesmo sem emprego então vim até aqui e resolvi aceitar a proposta... – eu respirei fundo – E enquanto conversávamos ele me contou o que aconteceu com você... - Foi ele então que te pediu para ligar? – eu perguntei sem muito humor e ela riu negando – Porque se ele te pediu você pode dizer para ele enfiar a proposta no... - Epa, epa, epa! – ela disse rindo – Calminha Abby... Ele não me pediu nada... Ele se mostrou preocupado com você e com o Luka, e sim, ele me disse que adoraria ter vocês, mas não me pediu para ligar. Eu liguei para me desculpar do meu papelão na sua casa e também para saber como que você está levando essa barra... Eu sei como é difícil perder o emprego, ainda mais com um filho pequeno... – eu respirei fundo e bati a mão no bolso da calça, desejando um cigarro. - Desculpa Sue... Eu estou à flor da pele ultimamente e acabei descontando em cima de você... – ela sorriu e disse que estava tudo bem, mostrando que era sim minha amiga – Mas a barra está indo... É complicado estar desempregada, ainda mais porque a culpa não foi minha e sim daquele idiota de pau pequeno do Zabel... – ela riu – Mas eu estou preocupada mesmo é com o Luka... Ele ficou irado e eu tenho medo dele fazer alguma merda... - Merda do tipo: “quebrar a cara do filho da puta”? – eu ri e concordei – Pois de onde eu vejo, isso não é uma merda... Muito pelo contrário... Isso seria libertador... – eu respirei fundo – Mas enfim... Você devia conversar com ele Abby... Luka tem meio que os dons dele jogados fora atrás de uma mesa... E concordo com Carter quando ele diz que você tem que voltar... – eu ia falar, mas ela não deixou – E eu também sei que você tem motivos para não voltar, mas pensa bem Abby... Você poderia voltar como algo diferente... Lembra que você sempre me disse que gostava de Obstetrícia? Então... Você podia investir nessa área... – eu ia falar, mas ela não deixou - Luka podia ter um cargo burocrático, mas não tão burocrático que o deixe sem agir no ER que ele gosta tanto... - Susan, por favor... Eu adoro você, mas eu não quero falar desse assunto agora... – a porta da cozinha abriu e Luka entrou por ela segurando uma caixa de papelão e eu sabia que o pior tinha acontecido – Sue... Eu não posso falar agora... – eu falei e nem esperei a resposta dela para desligar o telefone – Oh meu Deus, Luka... – ele se aproximou e colocou a caixa em cima da mesa da cozinha – Não vai me falar que você foi demitido... Por favor... - Não Abby, eu não fui demitido... – ele me olhou sério, mas meu coração não se aquietou – Eu me demiti... 

 ~~oOo~~

POV Carter.

 A chuva caí forte quando eu saio do meu plantão, pouco depois das sete horas da noite e eu amaldiçoo a mim mesmo por justamente neste dia não ter trazido o meu carro para o trabalho. A água gelada molha a minha roupa enquanto eu ando até a estação de metrô, e eu aperto o passo observando algumas pessoas fazerem a mesma coisa. Chego à estação após alguns segundos e corro para o trem, conseguindo entrar quase aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Olho ao redor, procurando por rostos conhecidos, mas não encontro ninguém, p que me faz perceber que assim como Susan, eu não tenho mais ninguém na cidade.
  Observo ao longe um casal de jovens se beijando e sorrio diante da cena, me perguntando quando foi à última vez que eu tinha feito à mesma coisa. Imagens minhas e de Kem automaticamente surgem em minha cabeça, e eu fecho a cara, bloqueando aquelas cenas e os sentimentos conturbados que sempre vinham quando eu começava a remexer no passado. Eu estou de volta em Chicago, a cidade que eu amo, trabalhando no hospital que eu amo e isso tem que bastar. Finalmente tenho a independência e a liberdade que eu tanto almejava e sinceramente não sinto mais vontade de nada, muito menos de reviver a minha história com Kem.
   O trem finalmente para no ponto que eu devo saltar. Dou um último sorriso para o casal, que continua se beijando sem nem se tocar do que acontecia ao redor, e peço passagem para algumas pessoas. Subo as escadas da estação correndo, para enfim voltar a andar pela chuva que agora esta ficando ainda mais forte. Ah! Como não amar Chicago? Sem me importar com a água, olho para o relógio e penso no apartamento vazio que me espera. Droga! Essa parte de estar solteiro eu realmente odeio. Cozinhar para um e não ter ninguém para conversar é duro. Imediatamente, como se estivesse com vontade de me sacanear, minha mente pensa em Abby e na cena que assisti há alguns dias, onde ela dava comida para o filho que ela tinha com Luka, e penso como seria se aquele filho fosse meu e se ela fosse casada comigo. Um aperto no peito se forma e eu volto a pensar em Kem, me lembrando dessa vez de nosso pequeno filho que morreu antes mesmo de nascer e imaginando como as coisas teriam sido se nada daquilo tivesse acontecido e nós tivéssemos conseguido ficar juntos. Merda! A quem eu estou querendo enganar? Nunca teria dado certo com elas... Abby é feliz com a vida dela e Kem conseguiu seguir em frente sem mim. Está mais do que na hora de eu entender que eu devo também, seguir em frente. 

~~oOo~~ 

POV Abby.

 Ainda um pouco chocada pela informação dada por Luka assim que ele chegou a casa, eu sirvo o jantar para Joe e deixo que meu marido o coloque na cama enquanto, desesperada, eu ando de um lado para o outro, tentando achar uma alternativa para resolver todo esse baita problema que temos em mãos. Tudo bem, a gente pode procurar um emprego novo aqui em Boston e tentar recomeçar, mas a verdade é que nós dois sabíamos que depois da briga dele com o herdeiro do hospital nossa caveira estava feita e todas as portas se fechariam. Merda! Por que Luka nunca faz as coisas que eu digo?!
 - Ele capotou antes de eu chegar à terceira página do livrinho!
  Luka diz enquanto desce as escadas e eu respiro fundo, colocando as mãos nos bolsos do jeans em busca de um cigarro, mas nem isso eu posso mais fazer para afogar as mágoas e os problemas.
 - Hey...
 Ele se aproxima, se coloca na minha frente e segura meus braços, acariciando-os levemente
- Você precisa ficar calma Abby. Perder o emprego não é o fim do mundo.
- Não é o fim do mundo? Ah me desculpa Luka, mas só se não for para você!
 Eu passei a mão pelos cabelos, nervosa.
- A gente tem uma casa para pagar! – Giro as mãos ao redor – A escolinha de Joe é uma fortuna!
Eu respiro fundo, tentando me acalmar.
- Você não pode achar que isso é fácil! Pelo amor de Deus! É claro que é o fim do mundo! Quando que você acha que a gente vai conseguir um emprego aqui?! A família do Zabel é uma das mais poderosas! Nossos rostos já devem estar em uma lista negra ou então estão impressos em folhas brancas e espalhados por todos os hospitais com os dizeres: NÃO CONTRATEM ESSA DUPLA.
 Ele começou a rir e beijou minha testa.
 - Você e a sua forma de sempre me fazer rir nas piores situações, baixinha.
 Eu agarro a camisa dele e deixo que o cheiro de Luka domine todos os meus sentidos.
 – Vai ser difícil continuar aqui, eu sei disso, mesmo porque eu fiz questão de dizer tudo que eu queria para aquele babaca. Mas os Estados Unidos tem 49 outros estados e milhares de cidades ,Abby. Você escolhe e a gente vai.
 - Eu quero voltar para Chicago. - Falei antes que ele pudesse pensar melhor e ele me encarou assustado . -  Sim, Luka. Eu quero voltar para Chicago.

~~oOo~~ 

POV Carter.

 Deixando de lado os pensamentos sobre o que minha vida poderia ter sido se eu tivesse feito opções diferentes, começo a andar pelas ruas e entro em uma pizzaria pequena, louco por uma pizza quentinha e uma cervejinha gelada para animar a noite fria que parecia estar chegando. Tiro o casaco e entro na fila, começando a observar o quadro de sabores em dúvida sobre qual escolher.
 - Eu gosto muito de calabresa com queijo cheddar e de bacon com catupiry. – Uma moça de cabelos loiros que está atrás de mim na fila faz a observação e eu me viro, sorrindo para ela.
- Eu sou Alicia. – Ela diz com um sorriso e estende a mão para mim. – E sou viciada em pizza.
- Eu sou John. John Carter. – Toco a mão dela e sinto uma corrente elétrica passar por meu corpo. Sinal da mais pura e simples atração sexual que ela me fez sentir – E também sou viciado em pizza.Com uma quedinha pelo sabor de bacon com catupiry, acompanhada de algumas cervejinhas geladas.
 Ela sorri e se aproxima do balcão, fazendo o pedido.
- Mas agora, olhando aqui para você eu tenho que dizer que acho muito pouco provável você ser viciada em pizza.Tem um corpo maravilhoso. – Ela sorri– Com todo respeito, claro.
 A moça ri e toca meu braço.
 - Ah, mas você não sabe como eu sofro na malhação no dia seguinte!
 Eu ri e ela olhou para mim.
 – E, além disso, você não está nada mal também.
 Pensei em agradecer, mas ela não me dá tempo.
-Quantos anos você tem?
Eu abro a boca pra responder, mas ela também não me dá tempo para isso.
- Esquece, isso não me importa.
Eu franzi a testa.
- Tenho 30. Isso é problema para você?
 - E por que seria?
  Ela abre o maior sorriso e pega uma caneta e um bloco de dentro da bolsa,começando a anotar um número, que eu julgo ser do telefone.
 -Por que ao invés de você me dar o seu telefone a gente não pega essa pizza, algumas cervejas e vai até a minha casa? Podemos conversar, nos conhecer melhor...
 Ela sorri mais ainda e me entrega um papel branco com o nome dela e o telefone.
 - Porque infelizmente eu tenho um plantão hoje à noite.
 Eu sorri pensando em dizer que eu também sou médico, mas penso melhor e decido ficar calado.
- Mas por que você não me dá o seu telefone? Eu posso te ligar e a gente pode marcar uma pizza e uma cervejinha.
 - Acho uma ótima ideia!
 Falo, pegando um guardanapo em cima do balcão e anotando o meu telefone, vendo ali uma chance de finalmente seguir em frente com a minha vida. 

~~oOo~~ 

POV Abby.

- Você tem certeza que quer fazer isso?
 Luka me pergunta pela terceira vez em menos de meia hora e eu olho para ele com a cara fechada, o que  o fez sorrir e voltar-se para a tela do computador, a fim de achar uma passagem para que pudéssemos ir até Chicago e conseguir um emprego antes de realmente nos mudarmos para lá.
- Desculpa, eu perguntei porque a gente jurou que jamais voltaria e...
- Eu nunca jurei que jamais voltaria, Luka. – Corto o discurso dele. – O que eu disse foi que eu precisava de uma mudança. Eu não preciso ficar justificando né?
Ele ia falar, mas eu não deixei.
- E se você quer saber a verdade, eu meio que sinto saudades de lá. Do clima maluco, do vento gelado que derruba tudo...
Eu sorrio, quando ele me olha com a sobrancelha erguida.
- E do County.
Luka arregala os olhos.
- Apesar de tudo, de todas as desgraças e tal, aquela foi nossa primeira casa.
 Eu me aproximo e passo minha mão pelos ombros dele, beijando-o no pescoço
- Foi lá que eu conheci você, Luka.
 Beijo o pescoço dele novamente.
-  Foi lá que nos tornamos o que somos hoje.
 - E é por isso que eu vou com você para onde você quiser, Abby.
Eu sorrio e permito que ele me beije, selando nosso amor.

~~oOo~~ 

POV Carter.

 Mais feliz do que eu me sinto em muito tempo, afinal eu mal me lembro da última vez em que uma mulher tinha realmente paquerado comigo, eu sigo para casa, segurando uma caixa grande de pizza e uma sacola cheia de latinhas de cerveja para uma festinha particular e quem sabe uma ligação cheia futuras promessas.  Apoiando a caixa em uma perna e segurando a sacola em uma das mãos, cacei as chaves dentro do bolso e abri a porta do meu apartamento. Quase tive uma parada cardíaca quando vejo Kem, sentada no sofá assistindo TV como se estivesse em casa.
 - Kem! Que diabos você está fazendo aqui?! – Eu pergunto, completamente desconfiado e coloco a pizza e as cervejas sobre a mesa enquanto ela se aproxima de mim com os olhos cheios de lágrimas.
 – O que aconteceu? – Eu me aproximo e a levo para o sofá novamente. – O que você está fazendo aqui? Como entrou aqui?
 - Eu ainda tenho uma chave...
 Ela abre a mão e mostra uma pequena chave prateada.
-Eu mostrei ao porteiro e ele me deixou subir.
Aceno positivamente e respiro fundo, lembrando que devo pedir a ela a chave antes que ela vá embora.
 -Eu voltei.
 Ela dá um sorriso tímido e eu sinto um aperto no peito.
- Voltei para nós...
 Eu abro a boca para falar, mas ela toca meus lábios com os dedos e me impede.
- Eu sei que você está magoado John... Eu sei disso. – Ela respira fundo. – Mas  tenho pensado tanto em você... Na gente...  Eu amo você John.
 - Kem... – Respiro fundo, tentando me controlar e decidir o que eu realmente estou sentindo – Vamos com calma, por favor. – Peço com a voz trêmula e me levanto,querendo um pouco de ar para arejar a cabeça. – Por que você veio para cá? Para conversar algo que eu achei que tínhamos deixado claro antes de você ir embora?
- Na verdade eu vim fazer um curso sobre Infectologia. – Ela responde e eu a sigo com o olhar, enquanto ela se levanta do sofá.– Mas eu escolhi cursá-lo em Chicago por você.
 As mãos dela tocaram meu ombro e eu respirei fundo .
- Eu cometi um erro John. Um erro feio.- A voz dela é suave contra o meu ouvido e eu fecho os olhos.– Diz para mim que você não sente saudade de mim John... Diz e eu vou embora.
 - Você sabe que eu não posso dizer isso a você, Kem.
Eu me viro e olho para ela, que sorr para mim.
-Você está ficando onde aqui em Chicago?
 - Aqui com você.
Tento falar, mas ela não deixa.
- Pra cuidar de você...
As mãos dela passam pelo meu cabelo.
- O seu cabelo tá enorme!
A boca dela toca a minha.
- E você está um pouco gordinho.
 Ela sorri.
- Mas eu vou cuidar de você amor.
A mão dela passa por debaixo da minha camisa.
- Kem.
Eu falo, mas ela não me deixa continuar e puxa minha camisa para cima, tirando-a e jogando-a pela sala.
- Shhh! Deixa eu cuidar de você meu amor.
Ela fala, e me cala com um beijo, tornando impossível de resistir. 

~~oOo~~ 

Cena Final:

Múltiplas Cenas:

 Susan encontra-se deitada na cama do hotel olhando uma foto de Cosmo e pensando no quanto a vida dos dois iria mudar ali em Chicago. 

 Morris está sentado no sofá da sala do apartamento que divide com Cláudia, com a cabeça entre as mãos, tentando pensar em uma forma de conversar com a família de seu paciente sem colocar sua carreira em risco mais ainda ou estragar o seu futuro casamento. 

Abby e Luka estão ainda sentados em frente ao computador, buscando por um local modesto para ficarem enquanto davam um jeito de reorganizar as coisas para iniciar uma nova vida em Chicago. 

No quarto escuro, Carter e Kem se entregam a paixão que os consumia. 

~~oOo~~

Executive producers: 
Michael Crichton
John Wells
Equipe Previously on ER.:

Back to Where We Belong – Bruna Pavan

3 comentários:

  1. Bru, eu já falei e vou falar outra vez: Eu adorei o cap. Especialmente aquele POV do Carter e toda a parte da Alicia =B Isso ainda vai render o/
    Me identifiquei bastante com seu modo de escrever, afinal é muito parecido com o meu, os mesmos acertos, os mesmos erros... UAHSUAHSUAHUSAH
    Enfim, não fique desanimada não, porque o cap está excelente e a nossa história está ficando cada vez melhor o/
    =*

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    1. Obrigada Di!!! :D
      Eu fico feliz que você tenha gostado! Agora é manter o ritmo e vamo que vamo! :D

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  2. O pessoal não tá conseguindo comentar!

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