sexta-feira, 12 de outubro de 2012

16x04 - Back to home - Por Diana Rodrigues.





Oi gente! Bom, primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos vocês aqui e dizer que a nossa equipe sente enorme prazer e satisfação ao ler os comentários fofos que vocês deixam. Bem, até agora vocês leram 3 capítulos de nossa história que foram escritos pelo Thiago Sampaio. O capítulo dessa semana é meu e vocês vão notar uma mudança drástica no modo de escrever. Essa fic não foi feita em forma de roteiro, mas sim em forma de POV'S (pontos de vista) de diversos personagens. Alguém ai já leu algum livro das crônicas de gelo e fogo? Mais ou menos assim. Bem, vou aproveitar para dizer também que o "epi" não ficou tão longo e detalhado como eu gostaria,mas é que eu estava em semana de provas então foi difícil me dedicar tanto quanto eu gostaria para escrevê-lo. O próximo episódio é da Bruna Pavan. A proposta do nosso blog é proporcionar momentos de diversão, continuando a história de nossos personagens preferidos. Temos nos dedicado muito à esse projeto, fazendo várias reuniões para decidir que rumo daremos à história. Não decidimos nada individualmente. Tudo é decidido pelo grupo e ai nós criamos um enredo e o autor da semana desenvolve isso do jeito dele. Isso também é bacana porque cada um escreve de um jeito, com suas particularidades e dá seu toque pessoal à coisa, e assim não caímos na mesmice. O Thi tem mais facilidade de escrever roteiros, já eu não consigo escrever assim e prefiro escrever P.O.V 's e os outros autores também tem seu próprio jeitinho de escrever. Enfim, vou parar de enrolação e postar logo. Espero que apreciem. Beijinhos da nossa equipe de produção, e não se esqueçam de comentar, pois o seu comentário faz a nossa qualidade! ;)
- Diana Rodrigues.
~~oOo~~


Previously on ER:

Susan foi mandada embora de seu antigo emprego por ter sido pega transando com Chuck em uma sala de aula.
Carter, que estava em uma reunião, perde o vôo de volta para Chicago e dá uma passadinha na casa de Abby e Luka . Sem querer, acaba descobrindo algo desagradável.
Cate Banfield decide fazer o melhor para sua família, chuta o balde e pede demissão.
Morris, em um momento de descuido e empolgação, deixa sua estudante sozinha e acaba cometendo um erro que talvez seja irreversível.






~~oOo~~



Morris.

 Mais um dia nessa angústia interminável. Deus, como pude ser tão estúpido?! Logo agora que tudo estava dando certo! Sou realmente um idiota. Eu sou aquele cara que é tão imbecil, mas tão imbecil que precisava se enfiar em um banheiro e falar escondido com um amigo no telefone para descobrir o que fazer em uma situação crítica. Como pude pensar que tinha evoluído?
  Meu futuro é incerto. Provavelmente vou perder minha licença. Justamente agora que estava beirando o momento mais feliz da minha vida, planejando o casamento com a mulher que eu amo! Como pude cometer um erro desse tipo? Era um procedimento que faço todos os dias! Ascultar para ver se o tubo entrou corretamente é essencial!
  Vou passando pelos corredores do hospital como se estivesse indo para a cadeira elétrica. O que mais dói é o olhar de meus amigos sobre mim, não com acusações, mas com pena. Obviamente não esperavam outra coisa de mim mesmo. Sempre estraguei tudo. Seus olhos me acompanham como se eu estivesse rumando para o matadouro. Com uma tristeza que dita que não seria nunca mais visto. Talvez fosse melhor assim. Ninguém nunca esperou muita coisa de mim mesmo e para um babaca até que eu fui longe. Espero conseguir sustentar minha esposa e meus futuros filhos com o salário do McDonald’s. Se é que Claudia ainda vai querer ser minha esposa depois de tudo isso.
 Sento-me ao lado da porta do diretor e aguardo. A espera parece não ter mais fim. Cinco minutos que parecem cinco vidas, e a última delas, prestes a chegar ao fim. A porta se abre. Taquicardia instantânea. Sudorese aumentada. Adrenalina correndo por cada uma das minhas veias.
“Doutor Morris?”


 ~~oOo~~

Carter.

Ver Abby ali, em sua casa, com seu marido e seu filho me faz pensar no que poderia ter sido. No que nós  poderíamos ter sido. Mas hoje sei que realmente não era pra acontecer. Sempre fomos muito diferentes e neste momento percebo o quão evidente é a verdade que o Luka é o cara certo pra ela. Ela mudou bastante e ele também. São outras pessoas dentro dos mesmos corpos. Nada disso importa mais.
 Devo confessar que me sinto entristecido por ela ter recusado meu convite. Mas agora não é apenas sobre Abby Lockhart e seus impulsos. É necessário pensar em sua família e no que é melhor para eles. Só espero que Luka considere a possibilidade de voltar, caso algo aconteça com seu emprego também.
 Ao ter esse pensamento, me lembro de meu objetivo inicial. Procurar novos médicos. Não posso ficar esperando por uma resposta de meus amigos aqui de Boston. Então um nome me vem à cabeça. Susan Lewis. Susie. Será que... Bom, agora ela está desempregada, certamente precisa de uma boa oportunidade. Assim que o avião pousar, vou ligar para ela e ver o que podemos fazer.

~~oOo~~

*Abertura*

~~oOo~~

Carol

 Chego em casa absurdamente cansada. Já são quase 21:00 e eu estou certa de que Doug ainda não colocou as meninas para fazer o dever de casa. Isso é absurdo. Elas deviam estar na cama no máximo às 22:00. Abro a porta e ao contrário do que imaginava, a televisão não está ligada e a sala está vazia. Um cheiro delicioso de comida inunda minhas narinas e meu estômago emite ruídos em protesto por ter recebido sua última refeição antes do meio-dia.
  Abandono minha bolsa sobre a mesinha de centro e tiro meus sapatos, colocando-os ao lado do sofá vermelho. Meus pés doem, minha cabeça dói, minhas costas doem. Dou um suspiro desanimado enquanto penso em tomar um remédio, um banho e cair na cama. Então noto que a luz da cozinha está ligada. Me aproximo lentamente e paro à porta para observar a cena. Tess está com as pernas encolhidas sobre a cadeira, lendo o sexto livro do Harry Potter que demos para ela na semana passada. Doug e Kate discutem algo sobre a revolução industrial.  Cadernos espalhados por toda a mesa. Canetas coloridas sobre os cadernos, cadeiras, pia, geladeira... Me sinto um pouco culpada por ter pensado que meu marido não teria ajudado nossas filhas com a lição de casa. Volto meu olhar para a pia e encontro duas caixas de pizza. Então era isso que estava exalando esse cheiro maravilhoso. Era esperar demais que Doug tivesse preparado um jantar, mas pelo menos ele pensou em algo para comermos e eu me sinto imensamente feliz por não precisar cozinhar.
  Meu estômago se pronuncia novamente e desta vez o ruído é alto o suficiente para chamar a atenção da minha família. Eles estavam tão concentrados que não haviam notado minha presença até agora.
- Mãe! Você chegou! Finalmente! Nós estávamos esperando você para comer a pizza! – Tess se levantou, largando o livro sem cuidado algum sobre a mesa e correndo para me abraçar. Eu abraço minha menina e lhe dou um beijo no topo da cabeça.
- É mãe, agora que você chegou, podemos jantar. Estamos famintos! – Doug diz em tom divertido e eu lhe lanço um olhar de advertência.
 Me aproximo de meu marido e lhe beijo os lábios. Em seguida, dou um beijo também em Kate e espio por cima do caderno que ela tem nos braços.
- Fazendo o dever, Kate?
- Nós já terminamos. Papai e eu estávamos aqui estudando para a prova de história enquanto Tess lia o livro novo dela. – Seu tom soa ligeiramente irônico.
- Você não devia estar estudando também, Tess?
- Eu já sei tudo isso ai, mãe. A Kate que é uma lerda.
- Eu não sou lerda! Só acho que nunca e demais estudar mais um pouco pra ter certeza. Depois você fica por ai reclamando que a sua nota foi menor que a minha.
- Eu fico feliz com um 9,0.
- Mas é menos que 10,0.
- É mais do que muita gente tira.
- Vamos parando por ai mesmo, vocês duas! Kate, um 9,0 é tão excelente quanto um 10,0. Tess, mesmo que você tenha mais facilidade que a sua irmã, não pode ficar zombando dela por isso. Ela se esforça bastante para tirar notas boas. E eu tenho muito orgulho de vocês porque as duas sempre tiram notas acima da média. Agora vamos recolhendo esses cadernos todos ai e essas canetas com glitter espalhadas por toda a minha cozinha para podermos jantar. Estou faminta!
- Isso ai, mamãe! Bote ordem na coisa!
- Doug!
 As meninas começam a recolher os cadernos enquanto eu apanho os pratos no armário.
- Doutor Ross, eu acharia muito bacana se o senhor levantasse essa bunda bonita da cadeira e viesse me ajudar com os copos e talheres.
- Eu prefiro ficar aqui observando a bunda bonita da minha esposa enquanto ela apanha os copos no armário mais alto.
- Engraçadinho! – Eu lhe dou um tapa no braço e o puxo pela camiseta azul até que finalmente se levante para me ajudar.
- Hey Kate! Essa caneta é minha!
- Lógico que não! Essa é a minha!
- Para com isso, você nem gosta de verde!
- Mas não quer dizer que ela não seja minha só porque verde não é minha cor preferida!
- Mãe!
- Okay! Kate, olhe no seu estojo primeiro.
- Mas é a minha, mãe!
- Kate! – Lhe lanço um olhar de advertência.
- Ela não está aqui e...
- AHÀ! OLHA A SUA CANETA AI!  - Tess grita, eufórica.
- Viu! Você não pode ir acusando a sua irmã antes de ter certeza das coisas.
- É, não pode ir me acusando assim não, garota!
- Tess! – Eu a repreendo.
- Okay, vocês duas, sumam com esses materiais escolares daqui, lavem as mãos e desçam rapidinho para a gente jantar. A mãe de vocês acabou de chegar e está cansada e com fome. Ela merece comer e descansar depois de um longo dia de trabalho, não acham?
 As gêmeas colocam as mochilas nas costas e sobem as escadas, rumo ao quarto, resmungando.
- Preciso falar com você. – Doug começa.
- O que foi?
- Eu recebi uma ligação.
- Ligação?
 Ouço as meninas descendo as escadas correndo.
- Mais tarde.
- Okay.
- Então gente, vamos jantar?
 Minhas filhas se acomodam novamente em suas cadeiras e então finalmente começamos nossa refeição.

~~oOo~~

 Susan

  Olho pelo retrovisor para meu filho adormecido no banco de trás do carro. O que eu vou fazer agora? Não tenho mais emprego, o dinheiro que tinha reservado está acabando e as contas continuam chegando. Eu vacilei feio dessa vez. Mas Chuck tem sua parcela de culpa. – E um emprego. – Caso não consiga alguma coisa rápido, ele terá que cuidar do nosso filho. Não quero deixar Cosmo,mas talvez seja necessário.
  Meu celular vibra no bolso da calça. Como se não bastasse toda essa desgraça na minha vida, ainda me toca o telefone enquanto estou dirigindo. Deve ser Chuck pra me encher o saco perguntando se eu já busquei o Cosmo na escola. Ele pensa que eu sou idiota ou o que? – E então me lembro de que recentemente viajei mais bêbada que um peru em véspera de natal e esqueci meu filho com a babá.  Sim, eu sou uma idiota.  Estava deprimida, mas isso não justifica. Olho novamente para meu filho, suspiro e resolvo atender o telefone. Mas não vou fazer merda dessa vez. Vou parar no acostamento. Não posso ser multada, não tenho dinheiro para pagar uma multa.
  Apanho o celular e olho no visor esperando ver o número de Chuck, mas não é ele. E o código de área não é daqui. Bem, já parei mesmo, não me custa atender.
- Alô?!
- Susie?
 Susie? Quase ninguém me chamava assim. Além da minha família, só... Não, não deve ser ele.
- Quem está falando?
- Você me ofende, não reconhecendo minha voz, Susan.
- Carter?!
- Até que enfim!
- Por que diabos você está me ligando no meio da semana? Acabei de pegar meu filho na escola e preciso alimentar ele.
- Eu sei que você está desempregada.
- Isso, joga na cara mesmo! Como se a minha vida já não estivesse desgraçada o suficiente!
- Mas que diabos! Susan! Você pode parar de bancar a drama Queen e me ouvir por um instante?
- O que você quer?
- Eu tenho um emprego para você.
- Mesmo? Onde?
- No County.
- Você está maluco! Nunca que eu volto para lá.
- Eu não acho que você está em posição de recusar a oferta, Susie. Além do mais, todo mundo lá conhece suas habilidades e sua competência. Pense bem, Susan. Mudar de ar pode ser bom. Voltar à boa e velha ação.
- Eu não estou tão desesperada assim, John.
- Não?
- Okay, eu estou.
- Pense com carinho, Susie. Não posso estender muito essa ligação, mas vou entrar em contato com você novamente amanhã. Enquanto isso, você pode ir refletindo sobre o assunto.
- Okay. Bem, obrigada por ligar.
- Disponha. Fique com Deus. Beijo.
- Beijo.
 Desligo o telefone e solto um longo suspiro. Voltar ao County? Carter só pode estar maluco.

~~oOo~~

  Elizabeth

 Hoje não é um dia feliz. Há alguns anos atrás, essa data foi mágica. Tudo deu errado.  Eu pensei que ele não viria. Mas ele conseguiu. Ele jamais me deixaria. E então trocamos as alianças. Tudo era extremamente satisfatório com Mark. Ele era o homem que sempre sonhei para mim. Gentil, educado, inteligente. Ele era simplesmente... Fantástico.
  Minha mente vaga para outro dia. Um dia maldito. O dia em que descobrimos sobre seu tumor. Mais maldito ainda do que esse, foi o dia em que descobrimos que o câncer voltou. Pouco a pouco eu vi meu marido partir. Primeiro foram os sorrisos. Depois a fala confusa. E por fim, sua vida escorria como água entre os dedos.
  Todas as vezes que olho para nossa filha, sinto orgulho e saudade. Ella se parece tanto com o pai!  O jeito bondoso de olhar, os lábios esboçando sorrisos simples, o carisma, a dedicação, o amor ao próximo. Ela tem muito mais dele do que de mim.
 É em dias como esse que meu coração dói e eu só quero chorar. Ele não ia querer que eu chorasse. Ia querer que eu seguisse em frente. E eu fiz isso. Mudei de ares. Mudei de vida. Peguei nossa filha e corri para o lugar mais longe que eu pude achar. Construí um lar para nós, arrumei um novo emprego e comecei tudo outra vez. Mas ele me faz falta. Muita falta.  Todas as vezes que eu preciso ir a uma reunião de escola, ou em um dia dos pais, ou no aniversário da nossa menina, minha dor aumenta absurdamente. Não é justo que Ella cresça sem o pai.     Procuro sempre fazer o que ele me pediu. Nas datas importantes, entrego as cartas que ele escreveu para nossa filha e para Rachel. Antes eu tinha que ler para nossa pequena, mas antes que eu pudesse piscar, ela já era capaz de ler sozinha. Mark não viu isso. Não viu ela crescer e não vai ver nunca. Mas minha pequena sabe que o pai a amava muito.
 As vezes eu tenho saudades de nossas conversas. Era tão bom chegar cansada do trabalho e ter com quem conversar... Mark me entendia como ninguém. Sigo para o quarto de minha filha. Ela está adormecida em sua cama, agarrada à boneca. Parece tão tranquila... Suspiro e permito que um sorriso nasça em meus lábios. Enxugo as lágrimas que insistem em cair de meus olhos e sigo para meu próprio quarto, para minha própria cama vazia, desejando que onde quer que esteja, meu marido possa me ver agora e saber o quanto eu o amo.

~~oOo~~

Cate.

 Chego em casa e ao abrir a porta, vejo uma cena que me faz ter certeza de que tomei a decisão correta. Meu marido está adormecido no sofá, com nosso bebê deitado sobre ele. A TV está ligada em um programa infantil, a luz acesa, as janelas abertas. Sobre a mesa de centro, uma mamadeira vazia, um elefante de pelúcia azul e um chocalho colorido.
 É nesse exato instante que percebo o quanto eu quero estar aqui. Quero participar disso tudo. Dar mamadeira para o meu bebê, trocar suas fraldas, brincar com ele. Meu marido e eu podemos levá-lo ao parque, fazer compras, tomar um sorvete... E no fim do dia, o colocaremos na cama com toda a paz que ele merece para dormir. E então iremos para nosso quarto.Podemos fazer amor, ou não. E então nós dois também dormiremos em paz, lado a lado.
 Desde muito pequena eu soube o que queria fazer da minha vida. Sempre quis ser médica e nunca sequer cogitei outra opção. Cada dia que eu vivi dentro de um hospital me fazia ter mais certeza de que era aquilo mesmo que eu queria para a minha vida inteira. Até agora. Neste momento, ficar com a minha família é tudo o que eu mais quero para a vida inteira.
 Meus anos praticando medicina foram muito felizes. Aprendi muito e ensinei bastante também. Fiz amizades que carregarei comigo para sempre. Comecei de baixo e atingi cargos importantes. Porém chega uma hora que nada mais faz sentido. A vida precisa te dar uns trancos para que você perceba o que realmente deve ser feito. Não sou mais uma garotinha. Não tenho mais 15 anos e a vida toda pela frente. Mas meu filho tem. E eu quero passar junto dele todos os anos que eu puder.
 Vou sentir falta de estar um hospital. O amor pela medicina é uma parte minha que jamais será esquecida. É o que eu sou. Mas agora, alem de médica, eu sou mãe. E não vou estragar tudo dessa vez.
 Me aproximo de meu marido e lhe faço um carinho na cabeça. Ele imediatamente desperta.
- Cate?
- Hey.
- Tudo bem? Como foi o trabalho hoje?
- Tenho algo para te contar.
  Eu pego meu bebê e ele resmunga um pouquinho,mas logo adormece novamente. Meu marido se senta no sofá e eu me sento ao lado dele.
- Aconteceu algo? – Diz preocupado.
- Sim. Eu pedi as contas. Sai do hospital.
- Por que? Foi ruim assim de se adaptar aqui? Podemos nos mudar novamente...
- Não, não é isso. O County é fantástico. As pessoas são maravilhosas e a rotina não é ruim. Mas esses últimos dias me fizeram perceber que lá não é o lugar onde eu gostaria de estar. Eu quero estar aqui, Russ. Com você e o nosso filho.
- Tem certeza disso?
- Mais do que tudo nessa vida.
- Vem cá.
 Russel me puxa para um abraço e antes que eu possa evitar, lágrimas escorrem por meu rosto. Não preciso ver pra saber que ele também está chorando. E então nos soltamos e permanecemos aqui, simplesmente olhando para nosso filho em meus braços, adormecido, tranquilo como um anjo. O nosso anjo.

~~oOo~~

Morris.

“Doutor Morris?”
Ouço meu nome e por um instante fica difícil conseguir me mover. Mas com o melhor de meus esforços, consigo estender minha mão trêmula ao velho homem à minha frente.
“Queira me acompanhar, por gentileza”
  Peço licença e entro na sala. Sinto-me ligeiramente claustrofóbico.
- Pode se sentar. – O diretor me aponta uma cadeira verde à frente de sua mesa. Eu me sento, mas não encosto as costas no estofado macio. Estou impaciente e desconfortável. Sinto-me à beira do precipício, prestes a tomar um caminho sem volta e ser obrigado a deixar para trás tudo aquilo que eu amo.
- Doutor Morris – O homem continuou. – O senhor pode me explicar o que aconteceu?
- Eu... Eu... Sou um idiota.
- Disso não há dúvidas. O que tem a dizer em sua defesa?
- O paciente precisou ser intubado. Por alguma razão, não havia um ventilador na sala, de modo que uma das enfermeiras teve que ir buscá-lo às pressas.
- Samantha Taggart.
- Sim, Sam. Não podia deixar o paciente daquela maneira, então pedi para a Daria pegar o ambú enquanto o intubava. Depois disso, meu celular tocou. Eu precisava atender, era minha noiva. Estamos prestes a nos casar e temos muitas coisas a resolver. Havia também o rapaz que tentou assaltar a joalheria em que estávamos pela manhã. Claudia, minha noiva, é da polícia. Quando o rapaz anunciou o assalto, ela partiu pra cima dele e o imobilizou. Infelizmente, no processo, ela lhe causou uma fratura. Ele veio aqui para nosso P.S. Ela então precisava saber de sua condição, para que ele pudesse ser levado até a delegacia para responder por seus atos.
- Então o senhor saiu para atender seu telefone pessoal e deixou sua aluna sozinha.
- Sim. Estava tudo certo. Tudo o que ela precisava fazer era apertar o balão a cada dois segundos. Pedi a ela também que me avisasse imediatamente quando Sam voltasse com o respirador.
- Mas o senhor não ascultou depois de ter intubado o paciente.
- Não. Eu estava certo de que tinha o feito. Mas depois me dei conta de que não fiz.
- Quando viu o paciente à beira de uma parada cardíaca.
- Foi tudo muito rápido. Eu fiquei lá fora por pouquíssimo tempo e quando voltei, os aparelhos estavam apitando e Daria estava desesperada. Foi quando coloquei a mão sobre o abdome do paciente e percebi o que estava acontecendo.
- E então ele teve uma embolia e em seguida uma parada cardíaca.
- Sim.
- O paciente veio a óbito?
- Não. Nós conseguimos reverter a parada, mas ele está na U.T.I. em coma. Gates o salvou. Eu sinto muito. Jamais deveria ter saído da sala.
- Que bom que tem consciência disso. Doutor Morris, vou ser sincero com o senhor e vou direto ao ponto. O caso foi levado ao comitê de ética e ao conselho deste hospital. Embora tenha sido contra a minha opinião, o grupo decidiu não encaminhar o caso ao conselho de medicina e reivindicar que o senhor perdesse sua licença. Errar é humano e nós queremos apurar melhor a situação. Antes do erro do senhor, havia outro erro ali. A sala não tinha um respirador e devia ter, portanto vamos procurar o responsável por isso e lhe aplicar a devida punição. Felizmente o senhor detectou o erro rapidamente e conseguiu revertê-lo, mesmo que o paciente ainda não esteja fora de perigo. Foi decidido que o senhor não poderá mais atender pacientes por um tempo que ainda será determinado. Seu trabalho de agora em diante será orientar estudantes e ensiná-los procedimentos simples. Terá também suspensão de duas semanas, sem remuneração e assinará uma advertência. E se fosse o senhor, começava a rezar agora mesmo para esse paciente não morrer, porque se ele morrer as coisas poderão ficar muito piores.
- Então eu não vou ser demitido? – Um sorriso inevitável brota em meus lábios.
- Por enquanto não. Mas eu não ficaria tão feliz em seu lugar. Orientar estudantes é o pior trabalho que alguém pode ter.
- Mesmo assim eu agradeço imensamente. – Eu não consigo conter minha euforia e dou inicio à minha dança da vitória.
- Doutor Morris, se contenha! – O homem diz em desaprovação.
- Me desculpe. Posso ir agora?
- Sim, está liberado.
 Saio praticamente correndo da sala. Preciso ligar para Claudia e contar o que aconteceu. Antes mesmo de eu fechar a porta, posso ouvir o chefe dizendo sua última palavra: “Idiota”.

 ~~oOo~~

Carol

 E depois de muito esforço, finalmente estou com o estômago cheio, a louça lavada, as crianças dormindo e o banho tomado. Posso descansar. Entro em meu quarto e encontro Doug na cama, lendo um artigo qualquer sobre avanços pediátricos em uma revista.
- Você está séria.
- Estou cansada, Doug, só isso.
 Eu me sento na beirada de nossa cama. Não estou mentindo, não é nada mesmo, o dia foi bastante cansativo e só. Doug abandona a revista sobre o criado mudo, se aproxima de mim e começa a massagear minhas costas. Já sei como isso vai terminar.
- Foi muito exaustivo hoje? – Ele beija minha nuca e eu reclamo.
- Muita papelada. Muitos pepinos pra resolver. As vezes sinto falta de toda a ação do P.S. Pelo menos não tinha essa chateação toda.
- Sei bem como é. Eu também não sou um homem de papéis.
 Detesto admitir, mas a massagem de meu marido está fazendo milagres nas minhas costas cansadas. Antes que eu percebesse, meu roupão estava deslizando por meus ombros.
- O que está fazendo?
- Massageando suas costas.
- E por que está tirando minha roupa?
- Para massagear melhor.
  Não preciso olhar pra ele pra saber que ele está com aquele sorrisinho maldoso estampado na cara. Sinto desapontá-lo, mas não vai rolar.
- Deite ai.
- Não vai rolar, bonitão.
- Não seja teimosa! Eu não estou com segundas intenções. Só pretendo ter um melhor acesso e você poderá relaxar melhor.
 Acabo cedendo aos seus caprichos e me deito sobre o colchão macio. Estou tão cansada, que todos meus músculos doem. Doug não investiu. Seus dedos massageiam meus ombros, minha região lombar, passeiam entre minhas costelas. Suas mãos quentes deslizam por minha pele, até que a necessidade me consome. Embora ele não tenha investido, o objetivo foi alcançado e agora quem quer sou eu. Não demorou muito para ele perceber meus suspiros. E em questão de segundos, estamos nós, nos amando madrugada afora.

~~oOo~~

 Carter.

Acabo de saber que Cate deixou o County. Fantástico. Como se já não estivéssemos ferrados o suficiente. Okay, ela fez o que era melhor para sua família. Mas poderia pelo menos ter tido a consideração de avisar antes para que eu pudesse me preparar. Agora estamos mais ferrados do que nunca, com a equipe reduzida do jeito que está. Espero sinceramente que Susan aceite meu convite.
 Sinto falta de como as coisas eram antes. Já tivemos tantos médicos bons nesse hospital... Kerry Weaver, Abby Lockhart, Luka Kovac, Elizabeth Corday, Neela Rasgotra, Gregory Pratt, Mark Greene... E hoje não temos quase ninguém. Tudo bem, já passamos por várias crises, vamos superar mais essa. Vou sentir falta de Cate, eu realmente gostava dela.
 Agora não adianta nada chorar sobre o leite derramado. Estou cansado demais para pensar nisso. Vou tomar um banho, comer uma pizza, tomar uma cerveja e cair na cama. Mas antes disso, vou ligar para Susan e insistir até ela resolver vir.

~~oOo~~

Morris.

 Deus foi muito bom comigo permitindo que eu continuasse em meu emprego. Agora há uma coisa que eu preciso fazer.
 Me dirijo à seu leito, em passadas lentas, pensando cuidadosamente no que vou fazer. Puxo um banquinho e me sento ao lado de meu paciente.
- Senhor Evans, boa noite. Sou o Doutor Morris, o idiota que fez isso com você. Não sei se o senhor consegue me ouvir. Alguns pacientes conseguem, outros não. Eu vim até aqui para te pedir desculpas porque eu falhei. Eu fui um imbecil. Foi necessário intubar o senhor para que pudesse respirar. Depois que colocamos esse tubo na garganta, é necessário ascultar com o estetoscópio para ver se ele entrou no lugar certo e não no esôfago, porque senão, mandamos o ar para o estômago. Quando eu terminei de colocar o tubo na sua garganta, meu celular tocou e eu precisava muito atender. Estou prestes a me casar e minha noiva é policial. Além das coisas do casamento, eu precisava atualizar ela sobre um paciente que tentou nos assaltar pela manhã e ela o imobilizou, mas no processo ele teve uma fratura e veio para cá. Ela precisava saber de suas condições para que pudesse ser encaminhado para a delegacia. Eu deixei minha estudante sozinha com o senhor e fui resolver esses problemas. Quando voltei, os monitores estavam apitando e então eu percebi que o tubo tinha entrado errado. O senhor teve uma embolia e uma parada cardíaca. Eu sei que vir até aqui não justifica nada, mas eu vim pedir perdão. Eu realmente espero que o senhor acorde...

~~oOo~~

Susan.

 Meu telefone toca. Quem será o infeliz que está me ligando essa hora da noite? Não tenho um trabalho para ir amanhã cedo, mas tenho mil coisas para fazer e uma delas é procurar um emprego. Suspiro e vou atender.
- Alô? – Digo sem o menor esforço para ser simpática.
- Susie?
- Carter? Você não disse que ia me ligar só amanhã?
- É, mas precisei ligar antes.
- Eu ainda não pensei no assunto. Não sei se vou voltar.
- Nem se for para a chefia do P.S?
- Como assim chefia? Vocês não tem uma chefe que chegou ai faz pouco tempo e era excelente?
- Tínhamos. Mas hoje ela chutou o balde e caiu fora.
- Não me admira.
- Ela tem um bebê pequeno. Optou por largar a medicina e ficar com sua família.
- Compreensível.
- E ai, o que me diz?
- O que Anspaugh acha dessa ideia?
- Ainda não conversei com ele, mas é certo que ele vai aceitar. Estamos com uma falta muito grande de médicos e ele já conhece seu trabalho.
- Preciso conversar com Chuck.
- É bom que você venha o mais rápido possível. A vaga não estará aqui para sempre.
- Certo. Hey, Carter... Bem, obrigada por pensar em mim.
- Você é uma das minhas melhores amigas, Susan. E eu jamais duvidaria de sua competência. Sempre que eu puder, vou te ajudar.
- Obrigada.
- Desculpe por ligar essa hora, mas eu tinha que te convencer. Sabia que não resistiria ao meu charme.
- Cínico.
 Escuto sua risada do outro lado da linha.
- Obrigada. Bem, vou lá. Acabei de chegar em casa, estou destruído.
- Okay. Boa noite para você, Carter.
- Boa noite, Susie.
 Desligo o telefone com um sorriso idiota na cara. Pelo menos o maior de meus problemas está terminado. Fico feliz por ter amigos que realmente se importam comigo. Devo confessar que estou feliz por o Carter ter ligado. No momento, não tenho muitas opções. Preciso pensar no que é melhor para Cosmo e o melhor para ele é ter o que comer, onde morar e estudos dignos. John está certo, não estou na posição de recusar nada. Engraçado como a minha vida dá voltas e voltas mas no fim eu sempre retorno. Respiro fundo. Preciso ligar para o Chuck. Vamos ter que conversar. Ele pode reclamar um pouco, mas vai entender. Minha decisão está tomada. Vou voltar. Voltar para casa.

~~oOo~~

- Múltiplas cenas.

Morris ao lado do paciente na U.T.I. A iluminação está baixa e o local deserto. Só se ouve o barulho dos monitores.
Carol e Doug se amam, madrugada afora.
Carter está sentado em seu sofá, comendo pizza, tomando uma cerveja e assistindo ao jogo de basquete.
Elizabeth olha com tristeza para a foto do porta-retratos ao lado de sua cama. Na foto estão ela, Mark, Ella e Rachel.
Susan faz as malas, enquanto olha para Cosmo adormecido em sua cama.
Cate e Russel observam seu pequenino, também adormecido, com ternura.
~~oOo~~

Executive producers
Michael Crichton
John Wells
Equipe Previously on ER.
"Back to home" - Por Diana Rodrigues.

3 comentários:

  1. Eu sempre esqueço de comentar assim que acabo de ler o cap... Vou logo falar com o autor... Hahahaha mas enfim... Di! Parabéns! O cap está maravilhoso! Como falei a cena Doug e Carol foi sim a minha favorita! Lindos! E muitas emoções vem por ai!

    ResponderExcluir
  2. DIII !
    Demorei mas aqui estou eu hahahahaha :b

    Fato que minha parte favorita foi Doug e Carol , fofos DEMAIS

    " - Doutor Ross, eu acharia muito bacana se o senhor levantasse essa bunda bonita da cadeira e viesse me ajudar com os copos e talheres.
    - Eu prefiro ficar aqui observando a bunda bonita da minha esposa enquanto ela apanha os copos no armário mais alto"

    Eu ri demais hahahahah :p

    Fiquei com dó do Morris por mais que ele tenha erradom deve ser complicado estar em uma situação dessas.
    o POV da Lizzie tb ficou lindo demais , me emocionei :)

    Enfim Di , ficou MUITO BOM !
    Parabéns :D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Awn Nath! *______________* Doug e Carol, divos *___* Como não escrever sobre eles? o/ Vc nem imagina o que vem por ai UHASUAHHAUSHAUSHAUHS
      Morris =/ Só faz besteira mas a gente ainda ama ele o/
      Lizzie D: /Sofromuito

      Que bom que gostou, amore! Pode ir voltando aqui pra ler o próximo! :hebeacusa: =*

      Excluir